Violência contra a mulher ainda não é prioridade em Mato Grosso
Discurso não protege: realidade no interior expõe falhas, medo e abandono
Willian Wancley, pregador, estudante de Direito, e vice-presidente do PLJ estadual, destaca a urgência de tratar a violência contra a mulher como prioridade real em Mato Grosso - FOTO: Arquivo/Reprodução O combate à violência contra a mulher em Mato Grosso ainda está longe de ser aquilo que a gente vê nos discursos bonitos. Na prática, a realidade é outra — mais dura, mais silenciosa e, muitas vezes, ignorada.
Quem vive no interior sabe bem disso. Não é raro ouvir histórias de mulheres que já denunciaram, já pediram ajuda, mas continuam vivendo com medo. Falta estrutura, falta resposta rápida e, principalmente, falta prioridade. Porque quando o problema é tratado como urgente de verdade, ele começa a ser resolvido. E hoje, claramente, não é o que acontece.
Também existe um ponto que muita gente evita tocar: a cultura. Ainda tem quem ache normal controlar, humilhar ou até agredir dentro de casa. Ainda tem quem relativize, quem diga que “é coisa de casal”. Não é. Nunca foi. Esse tipo de pensamento só ajuda a manter o problema vivo.
E denunciar não é simples. Muita mulher depende do agressor, tem filhos, tem medo de ficar desamparada ou de sofrer algo pior depois. Então não adianta só falar “denuncie”. Se o Estado não garante proteção de verdade, essa frase vira quase uma pressão injusta em cima de quem já está em uma situação difícil.
O que precisa mudar é bem direto: mais presença do Estado, mais estrutura nas cidades menores, mais agilidade nas medidas protetivas e mais apoio real para quem decide sair desse ciclo. E apoio real não é só polícia — é emprego, é abrigo, é acompanhamento psicológico.
Mas não dá pra jogar tudo só nas costas do poder público. A sociedade também precisa parar de fingir que não vê. Violência não começa do nada. Sempre tem sinais — e muita gente escolhe ignorar.
Mato Grosso é um estado forte, que cresce, que produz. Mas não dá pra falar em desenvolvimento enquanto tantas mulheres ainda vivem com medo dentro da própria casa.
No fim, a questão é simples: ou isso vira prioridade de verdade, ou a gente vai continuar assistindo as mesmas histórias se repetirem — sempre com um final que poderia ter sido evitado.
Jornal O Comunitário News - Da Redação/Willian Wancley
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